30 anos de Erasmus

«No ano de 2017 são celebrados dois importantes aniversários para a União Europeia. Completam-se os 60 anos da assinatura do Tratado de Roma mas também os 30 da criação do programa Erasmus, uma das iniciativas comunitárias estruturantes para o fomento de uma verdadeira cidadania europeia.

A ideia de aprofundar a dimensão política da União Europeia carece, naturalmente, de que os cidadãos dos diferentes estados-membros olhem para a Europa como o seu espaço e que vejam na sua condição de europeus um elemento que defina a sua identidade. Por outras palavras, o sentimento de pertença em relação à entidade “Europa” deverá ter uma intensidade comparável ao daquele que estes cidadãos nutrem pela respetiva nacionalidade. De outra forma, o projeto europeu dificilmente será viável e, na ausência de uma mobilização política e cívica dos europeus que se compare à que acontece nos seus países, poderemos também dizer que dificilmente será um projeto democrático numa plena aceção do termo.

Neste sentido, a experiência Erasmus, pela qual já terão passado cerca de 5 milhões de europeus, é um dos projetos comunitários mais importantes. As estatísticas dizem-nos que, atualmente, de acordo com o Institute of International Education. cerca de 10% dos estudantes europeus de Ensino Superior estão no estrangeiro. Sobre o impacto do Erasmus na tal consciência cívica ao nível dos assuntos europeus, um inquérito recente mostra-nos que 81% dos estudantes que fizeram este programa de mobilidade votaram nas Eleições Europeias de 2014, contra os 30% dentro do total dos participantes da mesma geração.

Os milhões de estudantes Erasmus assimilaram como perfeitamente normal a vida num outro país europeu e o desenvolvimento de múltiplos contactos e amizades com pessoas de diversas nacionalidades. Para além disso, há estudos que concluem haver um impacto na empregabilidade, com resultados que indicam haver duas vezes menos desemprego entre os jovens que passaram por este processo, face a outros jovens em circunstâncias equiparáveis. Os defensores do programa argumentam que esta experiência proporciona um conjunto de aprendizagens colaterais, nomeadamente no âmbito de soft skills relacionais e da adaptabilidade, da autonomia ou da responsabilidade.

O programa continua a evoluir e a acrescentar novas modalidades à sua premissa inicial. No dia 1 de janeiro de 2014, entrou em vigor o Erasmus+ . A partir deste momento, o universo do ensino na sua globalidade ficou englobado no programa, estando incluídos o Ensino Escolar (Comenius), a Educação e Formação Profissionais (Leonardo da Vinci), o Ensino Superior Internacional (International Credit Mobility), a Educação de Adultos (Grundtvig) e a Juventude e Desportos (Juventude em Ação).

O Erasmus passa a fazer-se acompanhar de um conjunto de outras apostas que pretendem proporcionar a mesma oportunidade a jovens que se encontram em etapas diferentes. Neste momento, o Ensino Superior continua a ser o grande beneficiário do programa, sobretudo entre as universidades públicas de referência, mas o Ensino Escolar, a Formação Profissional e a Educação de Adultos começam a crescer gradualmente e a ter uma maior importância no panorama da mobilidade no ensino europeu.»

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(retirado de http://www.pt.cision.com/cp2013/ClippingDetails.aspx?id=28ee4ecc-98fd-466c-ad9f-f1946f407adb&analises=1, a 29/07/2017, às 20h50)